TL;DR: O mapa de riscos é a representação gráfica dos riscos de cada setor sobre a planta baixa do local de trabalho, usando cinco cores — verde (físicos), vermelho (químicos), marrom (biológicos), amarelo (ergonômicos) e azul (acidentes) — em círculos cujo tamanho indica a gravidade (pequeno, médio ou grande). Foi instituído pela Portaria SSST nº 25/1994 como anexo da NR-5 e, historicamente, era elaborado pela CIPA com participação dos trabalhadores e apoio do SESMT.
Se você buscou “mapa de riscos”, provavelmente precisa de uma de duas coisas: montar um agora para a sua CIPA, ou entender se ele ainda é exigido. Vamos responder às duas — a segunda primeiro, porque muda a forma de tratar a primeira.
Com a reformulação da NR-5 e a consolidação da gestão de riscos na NR-1 (com GRO, inventário de riscos e PGR), mudou o status do mapa. A redação atual da NR-5 atribui à CIPA registrar a percepção de risco dos trabalhadores, em conformidade com o subitem 1.5.3.3 da NR-1, por meio do mapa de risco ou de outra técnica ou ferramenta apropriada, sem ordem de preferência. Ou seja: o mapa continua expressamente previsto, mas como uma opção entre outras — a obrigação é registrar a percepção de risco, não necessariamente no formato de mapa. O que é inegociável hoje é o inventário de riscos dentro do PGR — assunto de GRO e PGR.
O que é o mapa de riscos
É um desenho da planta baixa do setor com círculos coloridos posicionados exatamente onde o risco existe. Quem olha o mapa entende, em segundos, três informações:
- Qual o tipo de risco — pela cor do círculo;
- Qual a gravidade — pelo tamanho do círculo;
- Quantos trabalhadores estão expostos e a que agente — pelo texto dentro ou ao lado do círculo.
A força do mapa está na acessibilidade. Um inventário de riscos em planilha é técnico e serve ao SESMT e ao auditor. O mapa serve ao operador, ao visitante e ao novato no primeiro dia. São instrumentos complementares, não concorrentes.
As 5 cores do mapa de riscos e o que significam
A classificação de cores vem da Portaria SSST nº 25/1994:
| Cor | Grupo de risco | Exemplos de agentes |
|---|---|---|
| 🟢 Verde | Riscos físicos | Ruído, vibração, calor, frio, radiação ionizante e não ionizante, pressões anormais, umidade |
| 🔴 Vermelho | Riscos químicos | Poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases, vapores, produtos químicos em geral |
| 🟤 Marrom | Riscos biológicos | Vírus, bactérias, fungos, protozoários, parasitas, bacilos |
| 🟡 Amarelo | Riscos ergonômicos | Esforço físico intenso, levantamento de peso, postura inadequada, ritmo excessivo, monotonia, jornada prolongada, trabalho em turno |
| 🔵 Azul | Riscos de acidentes (mecânicos) | Máquina sem proteção, arranjo físico inadequado, ferramenta inadequada, eletricidade, incêndio, animais peçonhentos, queda |
Duas armadilhas frequentes. A primeira: trocar vermelho e verde — verde é físico, vermelho é químico, e a intuição costuma sugerir o contrário. A segunda: não saber onde colocar risco psicossocial. A tabela clássica de 1994 não previa essa categoria de forma autônoma; fatores como ritmo excessivo, monotonia e jornada prolongada aparecem no grupo ergonômico (amarelo). Hoje, com a NR-1 tratando riscos psicossociais de forma explícita e com a fiscalização punitiva desde 26 de maio de 2026, a prática recomendada é representá-los no mapa em amarelo, com identificação textual clara, e registrá-los no inventário de riscos do PGR — que é onde a exigência de fato mora. Ver riscos psicossociais no PGR.
O tamanho do círculo: como indicar a gravidade
O símbolo padrão é o círculo, e o diâmetro comunica a intensidade do risco:
| Tamanho | Gravidade | Leitura prática |
|---|---|---|
| Círculo pequeno | Risco leve | Exposição baixa ou controle já efetivo |
| Círculo médio | Risco médio | Exposição relevante, controle parcial |
| Círculo grande | Risco alto/grave | Exposição elevada, controle insuficiente ou dano potencial severo |
Quando mais de um tipo de risco ocorre no mesmo ponto, há duas convenções aceitas: dividir o círculo em partes proporcionais, cada uma com a cor de um grupo; ou desenhar círculos separados e sobrepostos parcialmente. Escolha uma convenção e mantenha a mesma em toda a empresa — mapas com padrões diferentes por setor perdem a função de leitura rápida.
Cada círculo deve vir acompanhado de legenda com: o agente específico, o número de trabalhadores expostos e as medidas de controle existentes.
Como elaborar o mapa de riscos: passo a passo
1. Reunir a planta baixa do setor. Se não houver planta, um croqui à mão em escala aproximada resolve. O importante é que máquinas, bancadas, portas, saídas de emergência e postos fixos estejam representados.
2. Ouvir os trabalhadores do setor. Esta é a etapa que ninguém pode pular. Quem opera conhece o risco real — o que trava, o que esquenta, onde se escorrega, qual tarefa exige postura ruim, qual meta gera pressão. Faça isso com roteiro e registre.
3. Levantar as informações técnicas. Com apoio do SESMT: inventário de riscos do PGR, laudos e avaliações quantitativas existentes, PCMSO, histórico de acidentes e de afastamentos, relatórios de inspeção da CIPA.
4. Identificar e classificar os riscos. Para cada posto, definir grupo (cor), agente, fonte geradora, número de expostos e medidas de controle já existentes.
5. Avaliar a gravidade. Combine intensidade/concentração, tempo de exposição, número de expostos e eficácia do controle atual para chegar a leve, médio ou grave.
6. Desenhar o mapa. Posicione os círculos sobre a planta, no ponto físico do risco. Inclua legenda, data de elaboração e identificação de quem elaborou.
7. Discutir e aprovar. Apresente o mapa em reunião da CIPA, registre a aprovação em ata e ajuste o que os trabalhadores apontarem. Ver ata de reunião da CIPA.
8. Afixar em local visível. Entrada do setor, mural, corredor de acesso. Mapa arquivado em pasta não cumpre função nenhuma.
9. Revisar. Sempre que houver mudança de layout, de processo, de máquina ou de produto químico — e periodicamente, alinhado ao ciclo de revisão do PGR.
O papel da CIPA na elaboração
A elaboração do mapa é atribuição da CIPA, com participação dos trabalhadores de todos os setores e colaboração do SESMT, sendo o resultado submetido à aprovação da própria comissão. Como a norma admite outras ferramentas de registro da percepção de risco, cabe à empresa decidir o formato — mas, escolhido o mapa, essa divisão de responsabilidades é a que a NR-5 pressupõe.
O que a CIPA faz bem nesse processo:
- Coleta a percepção de risco de quem executa — algo que o SESMT sozinho não alcança;
- Legitima o resultado, porque os cipeiros são eleitos pelos pares;
- Cruza com a inspeção de segurança que a comissão já realiza;
- Registra em ata a discussão, a aprovação e as revisões, criando trilha documental;
- Usa o mapa como material de campanha na SIPAT e no DDS.
E o que a CIPA não faz: substituir a avaliação técnica do SESMT ou o inventário de riscos do PGR. O mapa comunica; o PGR gerencia. Sobre o escopo da comissão, veja atribuições da CIPA.
Mapa de riscos x inventário de riscos do PGR
| Aspecto | Mapa de riscos | Inventário de riscos (PGR) |
|---|---|---|
| Formato | Gráfico, sobre planta baixa | Documento/planilha estruturada |
| Público | Todos os trabalhadores | SESMT, gestão, fiscalização |
| Base normativa atual | Previsto na NR-5 como uma das formas de registrar a percepção de risco | Exigido pela NR-1 |
| Elaboração | CIPA + trabalhadores + SESMT | Empregador, com apoio técnico |
| Função | Comunicar e engajar | Gerenciar, priorizar e planejar ação |
A resposta certa quase nunca é escolher um. É manter o inventário porque a norma exige, e manter o mapa porque ele faz a informação chegar a quem está exposto.
Erros comuns no mapa de riscos
- Copiar o mapa de outra empresa. Layout diferente, processo diferente, risco diferente.
- Marcar risco onde ele não está. O círculo precisa ficar no ponto físico da fonte geradora.
- Esquecer a legenda. Sem agente, nº de expostos e controle, o círculo colorido não informa nada.
- Nunca revisar após mudança de layout. Mapa desatualizado induz a erro.
- Deixar o mapa fora do alcance visual. Documento de comunicação precisa ser visto.
- Tratar o mapa como substituto do PGR. Ele não é, e a fiscalização não aceita a troca.
Perguntas frequentes
A NR-5 vigente prevê o mapa de risco como uma das formas de a CIPA registrar a percepção de risco dos trabalhadores, em conformidade com o subitem 1.5.3.3 da NR-1 — a norma admite outra técnica ou ferramenta apropriada, sem ordem de preferência. O que não admite alternativa é o inventário de riscos dentro do PGR, exigido pela NR-1. Na prática, o mapa segue sendo a ferramenta de comunicação visual mais usada, porque o inventário não cumpre esse papel.
Verde para riscos físicos, vermelho para químicos, marrom para biológicos, amarelo para ergonômicos e azul para riscos de acidentes, conforme a classificação da Portaria SSST nº 25/1994.
O diâmetro indica a gravidade do risco: círculo pequeno para risco leve, médio para risco moderado e grande para risco alto. A avaliação considera intensidade, tempo de exposição, número de expostos e eficácia dos controles existentes.
Tradicionalmente, a CIPA, ouvindo os trabalhadores de todos os setores e com a colaboração do SESMT, submetendo o resultado à aprovação da comissão. Onde não há CIPA, o empregador conduz com apoio técnico de profissional de segurança.
A classificação de 1994 não tem cor própria para riscos psicossociais; fatores como ritmo excessivo, monotonia e jornada prolongada estão no grupo ergonômico (amarelo). Represente-os em amarelo com descrição textual explícita e registre-os no inventário de riscos do PGR, que é onde a NR-1 exige o tratamento.
Sempre que houver alteração de layout, processo, máquina, produto ou quantitativo de expostos, e periodicamente junto ao ciclo de revisão do PGR. Mapa desatualizado tem valor negativo: passa informação errada.
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Por Guilherme Mota, Especialista em Segurança do Trabalho, consultor em CIPA e NR-1. Atualizado em julho de 2026.





